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NOTA CRÍTICA · N.º 21

Toda briga de rua é uma guerra que se recusa a acabar

Sobre Clausewitz, a escalada, e a desescalada que ninguém treina

O traço principal da guerra absoluta, como Clausewitz a definiu, é a subida aos extremos: os dois adversários, dialeticamente, impelem-se a uma violência paroxística que termina na aniquilação do inimigo. A briga de rua, em certa medida, ecoa essa escalada da força. Raramente uma briga começa com uma queda; ela sobe, golpe respondendo a golpe, cada um elevando as apostas.

Mas a intuição-chave de Clausewitz é que a guerra absoluta é apenas teórica. A guerra real nunca atinge o extremo puro, porque a escalada é sempre contrariada pela desescalada, pela fadiga, pelo alcance do objetivo, pela subordinação da violência a uma finalidade. O mesmo vale para a rua: a maioria dos confrontos pode ser desescalada, precisamente porque nenhuma das partes luta pela aniquilação, mas por algo além da luta.

Eis o escândalo: os esportes marciais e os clubes de defesa pessoal treinam apenas a escalada, como bater mais forte, mais rápido, mais. Não treinam nada da desescalada, que é estatisticamente o caminho de saída mais provável e mais seguro. A sensibilidade da capoeira, que sabe que o jogo está subordinado a algo maior do que o golpe, está mais perto dessa verdade. Sobreviver à rua é, na maioria das vezes, não vencer a escalada, mas encerrá-la. Essa habilidade não tem faixa, e quase não tem escola.

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NO CORPUS

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PALAVRAS-CHAVE

Clausewitz · De-escalation · Self-defence · Violence

COMO CITAR ESTA NOTA

MALO, Olivier. Toda briga de rua é uma guerra que se recusa a acabar. In: Black Combat Arts Institute, Notas Críticas [online]. N.º 21. 2026. Disponível em: https://www.blackcombatarts.com/notas-pt/toda-briga-de-rua-e-uma-guerra-que-se-recusa-a-acabar [acesso em data].

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