top of page

NOTA CRÍTICA · N.º 25

Uma pedagogia das emoções

Sobre treinar o sentir, não apenas a técnica

A capoeira, ensinada com consciência de sua lógica interna, abre para algo que as academias negligenciam: uma pedagogia das emoções. O toque e o quase-toque, a vulnerabilidade deliberada, o risco calculado, não são apenas situações técnicas, mas emocionais. O jogador deve aprender a agir dentro do medo, a continuar pensando enquanto desequilibrado, a manter a compostura no limiar da queda.

O esporte de combate treina o corpo e a técnica exaustivamente, e as emoções quase nada, ou apenas como “força mental”, terceirizada no discurso motivacional de um treinador. E no entanto, na roda como na rua, a emoção é decisiva: o pânico que congela o lutador treinado, a hesitação que abre a brecha fatal, o medo que transforma a habilidade em paralisia. A habilidade não escolarizada na emoção desmorona exatamente quando é necessária.

Conceber situações que treinam o sentir, que colocam o jogador, em segurança, dentro do medo e exigem que ele funcione ali, é um dos presentes silenciosos das artes de combate negras. O jogo ensaia não apenas o que o corpo faz, mas o que o coração faz sob pressão. Uma pedagogia que ignora as emoções treina um lutador para o dojô e o abandona na rua. A capoeira, no seu melhor, treina a pessoa inteira, incluindo a parte que tem medo.

NOTAS RELACIONADAS

→ Um jogo, um mundo inteiro de movimento

→ O jogo do chapéu

NO CORPUS

→ The Free Game and the Coded Sequence

→ Reading the Game from the Inside

PALAVRAS-CHAVE

Emotions · Pedagogy · Fear · Self-defence

COMO CITAR ESTA NOTA

MALO, Olivier. Uma pedagogia das emoções. In: Black Combat Arts Institute, Notas Críticas [online]. N.º 25. 2026. Disponível em: https://www.blackcombatarts.com/notas-pt/uma-pedagogia-das-emocoes [acesso em data].

bottom of page