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NOTA CRÍTICA · N.º 19

Recompense o risco, não o resultado

Sobre como julgar uma performance de capoeira, pelo perigo deliberadamente assumido

Para avaliar a performance individual na capoeira, é preciso levar em conta o risco calculado que o jogador assume durante o jogo. Ele remete à sua capacidade de se pôr deliberadamente em perigo, de abrir uma janela espaço-temporal na qual o adversário poderia se precipitar. O jogador que não arrisca nada, que permanece seguro, fechado, defensivo, não produz nada digno de ser visto, por mais “eficaz” que seja.

Isso inverte a lógica habitual do esporte de combate, onde o risco é um passivo a minimizar. Na roda, o risco calculado é um valor: a disposição de se inverter, de dar as costas, de cair e se recuperar, de oferecer a abertura para criar a surpresa. A vulnerabilidade assumida de propósito não é uma falha da performance, ela é a performance.

Isso se conecta a tudo o que as artes de combate negras ensinam: o início desigual assumido em vez de evitado, a queda buscada em vez de temida, a beleza construída a partir do perigo. Julgar um jogador pela sua segurança é recompensar a covardia vestida de prudência. Julgá-lo pelo seu risco calculado é recompensar a coragem que o jogo existe para cultivar. O jogo seguro sobrevive; o jogo arriscado vive.

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NO CORPUS

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PALAVRAS-CHAVE

Risk · Evaluation · Vulnerability · Internal logic

COMO CITAR ESTA NOTA

MALO, Olivier. Recompense o risco, não o resultado. In: Black Combat Arts Institute, Notas Críticas [online]. N.º 19. 2026. Disponível em: https://www.blackcombatarts.com/notas-pt/recompense-o-risco-nao-o-resultado [acesso em data].

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