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NOTA CRÍTICA · N.º 30

O empurrão que vence o soco

Sobre uma versão do bènaden que desequilibra em vez de golpear

Existe outra versão do bènaden. O objetivo já não é tocar a boca do adversário, mas desequilibrá-lo com um empurrão da mão na altura do queixo. Aplicada, a técnica estende a cabeça para trás, e a cabeça, com o sistema labiríntico do ouvido interno e o eixo da visão, é o centro do equilíbrio. O resultado é a perda do equilíbrio e, incidentalmente, a queda.

É uma lógica de combate inteiramente estranha ao soco. Não busca o dano, mas o desequilíbrio; não o nocaute, mas o tombo; não o sangue, mas a queda. E a queda, na gramática desses jogos, é uma derrota completa, o desmoronamento público da compostura do adversário, obtido sem um único golpe que fira. O empurrão pode humilhar com mais certeza do que o soco, porque expõe não a fragilidade do corpo, mas sua perda de controle.

Isso se conecta ao princípio mais profundo das artes de combate negras: o desequilíbrio negativo, o derrubar do outro. A vitória não precisa passar pelo ferimento. Desequilibrar é derrotar deixando o corpo intacto, um combate feroz nas apostas e suave nas consequências. O empurrão que vence o soco não é uma técnica menor. É toda uma filosofia do que pode significar vencer uma luta.

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NO CORPUS

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PALAVRAS-CHAVE

Bènaden · Imbalance · Non-injury · Internal logic

COMO CITAR ESTA NOTA

MALO, Olivier. O empurrão que vence o soco. In: Black Combat Arts Institute, Notas Críticas [online]. N.º 30. 2026. Disponível em: https://www.blackcombatarts.com/notas-pt/o-empurrao-que-vence-o-soco [acesso em data].

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