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NOTA CRÍTICA · N.º 03

Não existe primeiro ataque, e essa é toda a arte

Sobre a máxima de Funakoshi, e por que o contra-ataque vence a combinação

“Não existe primeiro ataque no caratê”, um dos preceitos mais conhecidos do Shotokan, atribuído a seu fundador, Gichin Funakoshi. Costuma ser lido como regra moral: o carateca não inicia a agressão. Mas leia-o como estratégia e ele se abre para algo mais profundo.

Atacar primeiro é comprometer o corpo, expor uma intenção, tornar-se legível para o adversário. Uma sucessão de golpes, a combinação, é uma aposta no esmagamento; mas cada golpe é também uma porta aberta sobre si mesmo. Aquele que espera, que lê, que responde à própria brecha que o atacante abre ao atacar, joga um jogo mais sutil e frequentemente mais seguro.

Essa é a lógica que as artes de combate negras sempre conheceram: o convite à ruptura. Não se força a abertura; espera-se que o outro a crie, e entra-se. A máxima não é apenas uma ética da contenção, é uma teoria do contra-ataque, da paciência como arma, do segundo movimento que derrota o primeiro. Precisar golpear primeiro é, silenciosamente, já ter perdido o jogo mais profundo.

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PALAVRAS-CHAVE

Karate · Strategy · Counter · Internal logic

COMO CITAR ESTA NOTA

MALO, Olivier. Não existe primeiro ataque, e essa é toda a arte. In: Black Combat Arts Institute, Notas Críticas [online]. N.º 03. 2026. Disponível em: https://www.blackcombatarts.com/notas-pt/nao-existe-primeiro-ataque-e-essa-e-toda-a-arte [acesso em data].

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