Black Combat Arts Institute.
CARIBE · EM EXTINÇÃO
Mayolè
Uma luta de bastão praticada em Guadalupe pelas comunidades rurais do mundo da plantação, dirigida pelos tambores, na qual ataque e defesa são tomados estritamente por turnos, nunca uma troca livre. Os bastões se chocam em cadência, depois um ataque fulminante busca ultrapassar a defesa: tocar sem que o bastão jamais roce o corpo.
ORIGENS & FUNÇÕES SOCIAIS
O primeiro traço escrito do mayolè é o texto que o proíbe. O regulamento do Conde de Blénac e do Intendente Bégon (13 de fevereiro de 1683) dispõe: « fica proibido aos ditos escravos realizar qualquer assembleia de dia ou de noite sob pretexto de casamentos ou outros […] e menos ainda nas estradas principais, caminhos ou lugares afastados onde realizam combates de desafio. » A prática precede seu traço; o traço é uma proibição, um padrão comum a toda a família das artes de combate negras.
« Bastões chamados mayombo » em Moreau de Saint-Méry; duelos de bastão encerrados pela palavra « Mayombé […] que significa deus » em Boma, no Congo (Flamme, 1908); mayolè em Guadalupe. Uma palavra que viaja de Boma a Basse-Terre, um deus alojado no nome de um bastão.
« Comparados à violência exercida no interior da colônia pelos senhores, queimas, amputações, esquartejamentos, açoites, os duelos entre negros escravizados eram policiados. A violência era dominada. » O duelo regulado estava do lado dos escravizados; a violência sem regra, do lado do sistema.
Uma prática « a ponto de morrer »: a primeira urgência do programa do Black Combat Arts Institute, documentar a estrutura ludomotora antes da extinção, patrimonializar com lucidez.
O JOGO
Uma arte codificada, não uma briga. Os bastões eram preparados com várias semanas de antecedência: madeira escolhida por sua rigidez e sua flexibilidade, endurecida no fogo, guarnecida de couro cravejado, « carregada » com pó de maman-bila inserido com uma verruma. Antes da luta, os lutadores tocavam a terra com um dedo, batiam no peito e olhavam para o céu, um chamado às forças divinas. E a violência era regulada: quando os ânimos se exaltavam, os lutadores eram separados.
FONTES
Regulamento do Governador-Geral Charles de Courbon, Conde de Blénac, e do Intendente Michel Bégon, 13 de fevereiro de 1683. · Médéric Louis Élie Moreau de Saint-Méry, Description topographique, physique, civile, politique et historique de la partie française de l’isle Saint-Domingue, Filadélfia, 1797. · Flamme, Dans la Belgique africaine, 1908. · Malo, O., Une tradition guadeloupéenne défigurée : le Mayolè comme « corps-mémoration » de l'esclavage à la fin du XXe siècle, dissertação de mestrado em História, Université des Antilles, 2012. · Olivier Malo, La capoeira et les arts de combat noirs : histoire effacée, techniques invisibles, 1905–1984, tese de doutorado em História, Université des Antilles, 2020, Abertura, seção B.1.
COMO CITAR ESTA ENTRADA
MALO, Olivier. Mayolè. In: O Atlas das Artes de Combate Negras [online]. Black Combat Arts Institute, 2026. Disponível em: https://www.blackcombatarts.com/atlas-pt/mayole [acesso em data].
PRÁTICAS APARENTADAS
→ Stick fighting, Complexo caribenho do bastão
→ Tiré baton / Tiré machèt, Bastão & facão, de mestre a discípulo
→ Cocobalé, Combate de bastão ao tambor
→ Bènaden, Ataque e defesa em turnos estritos