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CARIBE · EM EXTINÇÃO

Bènaden

Um jogo de mãos cantado, praticado em Guadalupe pelas comunidades rurais, notadamente nas vigílias fúnebres. Sustentado pelo boulagèl, percussão vocal, de boca, e pelas palmas, ataque e defesa são tomados por turnos: tocar o queixo do adversário com a ponta dos dedos, ou, em algumas variantes, seu peito, ou tirar-lhe o chapéu da cabeça. O defensor, enraizado em suas bases, sem direito de recuar, apara e esquiva sem sair do ritmo.

ORIGENS & FUNÇÕES SOCIAIS

A antropóloga Anca Bertrand (1966), especialista da cultura antilhana, descreveu o bènaden como “um belíssimo e flexível jogo dos corpos” e o distinguiu claramente do boxe. Como hoje, era praticado nas vigílias fúnebres, música e canto acompanhando o combate, o rosto como alvo privilegiado. Corrigindo um erro da tese: o acompanhamento não é o tambor, mas o boulagèl, a percussão vocal de boca, e as palmas, sendo o boulagèl usado precisamente onde o tambor está ausente, como nas vigílias.

O JOGO

Um jogo de mãos cantado da Guadalupe rural. Ataque e defesa são tomados em turnos estritos. Decisivamente, o objetivo do atacante não era tocar ou golpear o adversário, mas empurrá-lo com a palma da mão na altura do queixo de modo a desequilibrá-lo: pela mudança abrupta de orientação da cabeça, os centros do equilíbrio são atingidos. O defensor, enraizado em suas bases, sem direito de recuar, apara e esquiva em ritmo.

PRINCÍPIOS DE JOGO

O convite à ruptura, a dissociação de papéis e a posição vulnerável. Os lutadores não têm o mesmo estatuto, um ataca, o outro defende. O defensor, diante do atacante sem direito de ceder terreno, é posto numa posição desconfortável, em tensão com a necessidade de permanecer de pé, e é nesse paradoxo, escreve a tese, que reside o interesse do jogo. Empurrar em vez de golpear, desequilibrar em vez de ferir: toda a arte é a busca deliberada do ponto de ruptura do equilíbrio do outro.

LUGAR NA FAMÍLIA

A tese situa o bènaden, com o batuque e a tolona malgaxe, entre os jogos de uma única dimensão, aqui o polo horizontal do toque, sem a queda provocada. Sua lógica interna está, portanto, longe da lógica da capoeira; e no entanto compartilha com a capoeira um fundamento estrutural profundo, o convite à ruptura, que o liga à família apesar de sua simplicidade.

FONTES

Anca Bertrand, 1966. · Olivier Malo, La capoeira et les arts de combat noirs : histoire effacée, techniques invisibles, 1905–1984, tese de doutorado em História, Université des Antilles, 2020.

COMO CITAR ESTA ENTRADA

MALO, Olivier. Bènaden. In: O Atlas das Artes de Combate Negras [online]. Black Combat Arts Institute, 2026. Disponível em: https://www.blackcombatarts.com/atlas-pt/benaden [acesso em data].

PRÁTICAS APARENTADAS

→ Mayolè, Mesmo mundo guadalupense

→ Manì, Jogo de percussão, turnos alternados

→ Batuque, Ataque e defesa por turnos

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