Black Combat Arts Institute.
HISTÓRIA · BRASIL
Quando capoeira significava bandos, não graça
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Na viragem do século XX, capoeiragem nomeava a luta brasileira, e as maltas, os bandos criminosos que combatiam pelo controlo do espaço urbano.
POR QUE ESTE ARTIGO
A capoeira é recordada como uma arte dos oprimidos. A tese recorda um sentido primeiro mais duro: um instrumento das maltas, bandos em guerra pela cidade, a capoeira como desordem social, não apenas resistência.
Dois sentidos de uma palavra
No início do século XX, a capoeiragem, um substantivo feminino, designava geralmente a luta brasileira, ao passo que capoeira(s) nomeava os seus praticantes. A palavra carregava uma dupla carga: uma arte corporal, e a atividade das maltas.
As maltas e a cidade
A capoeiragem era parte integrante das maltas, bandos em luta entre si pelo controlo dos espaços urbanos, no seio das quais se tornava um instrumento de desordem social (Soares, 1993). Ao mesmo tempo, estes bandos teciam relações estreitas com figuras do poder, enredando o jogo na política da rua.
Por que importa
Antes de a capoeira ser enobrecida em património, nomeava uma prática de bandos a disputar a cidade. Recuperar esse sentido não é rebaixar a arte mas recusar uma origem higienizada.
FONTES
La capoeira et les arts de combat noirs : histoire effacée, techniques invisibles (1905–1984), tese de doutoramento, Université des Antilles, 2020 (Introdução/Parte I: a capoeiragem e as maltas; A. L. C. S. Pires, 2001; Soares, 1993).
NO CORPUS
→ A lenda de David contra Golias
→ Salvar a capoeira condenando os capoeiras
→ O berimbau: uma «tradição imemorial» mais recente do que pensamos
COMO CITAR ESTE ARTIGO
MALO, Olivier. Quando capoeira significava bandos, não graça. In: Black Combat Arts Institute, Artigos [online]. N.º 101. 2026. Disponível em: https://www.blackcombatarts.com/artigos-pt/quando-capoeira-significava-bandos-nao-graca [acesso em data]. Adaptado da tese de doutoramento do autor, Université des Antilles, 2020.