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NOTA CRÍTICA · N.º 18

Descobri a capoeira num filme do Van Damme

Sobre as falsas primeiras imagens, e por que a porta errada ainda pode levar para dentro

Nossa primeira representação da capoeira estilhaçou-se no contato com mestres reais. E no entanto havíamos descoberto o jogo pelo cinema, um filme dirigido e estrelado por Jean-Claude Van Damme, The Quest (O Grande Desafio). Em princípio, portanto, foi a dimensão pugilística e espetacular da capoeira que nos atraiu: a imagem de uma arte de luta devastadora, só chutes e combate, nada do jogo, da música, da malícia.

A primeira imagem era falsa, ou ao menos parcial, deformada, hollywoodiana. A capoeira real, encontrada em carne e osso, era outra coisa: mais lenta e mais rápida, mais maliciosa, mais musical, mais social do que o filme podia mostrar. A representação inicial precisou quebrar-se para que a prática real pudesse ser vista.

E no entanto a imagem falsa fez seu trabalho: abriu a porta. Sem o espetáculo que nos seduziu, talvez nunca tivéssemos entrado na sala onde estava a verdade. Há aqui uma lição sobre as primeiras representações, são quase sempre erradas, e às vezes indispensáveis. A tarefa não é chegar sem ilusões, mas deixá-las estilhaçar-se uma vez lá dentro, e continuar. Muitos chegam ao real por uma porta marcada com uma mentira.

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PALAVRAS-CHAVE

Representation · Cinema · Learning · Capoeira

COMO CITAR ESTA NOTA

MALO, Olivier. Descobri a capoeira num filme do Van Damme. In: Black Combat Arts Institute, Notas Críticas [online]. N.º 18. 2026. Disponível em: https://www.blackcombatarts.com/notas-pt/descobri-a-capoeira-num-filme-do-van-damme [acesso em data].

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