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NOTA CRÍTICA · N.º 17

A roda inteira é a performance, não o jogador

Sobre a capoeira como obra coletiva, não como duelo de solistas

A capoeira não é apenas uma atividade de cooperação-oposição entre dois praticantes. É uma obra eminentemente social, atualizada na roda. Dentro do círculo, cada um busca elevar seu valor, subir na hierarquia, aumentar seu poder simbólico, mas sempre dentro de uma produção coletiva que nenhum jogador assina sozinho. A música, o coro, as palmas, os corpos que assistem: tudo é parte da performance, não sua moldura.

Tendemos a julgar a capoeira como julgamos um esporte solo, medindo a técnica de cada jogador individualmente, como se a roda fosse apenas um palco para solistas consecutivos. Isso deixa escapar o que o jogo mais profundamente é. A qualidade de uma roda é emergente: vive na troca, na resposta, no ritmo coletivo que dois jogadores e um círculo constroem juntos, e que nenhum deles poderia construir sozinho.

É por isso que a capoeira resiste às métricas do esporte de combate. Não há maneira limpa de pontuar uma obra coletiva, emergente e social isolando suas partes. Para entender a roda é preciso olhar o que o círculo produz junto, a intensidade compartilhada, a conversa dos corpos, e não apenas quem tocou quem. A performance individual é real, mas é uma nota dentro de uma música que o círculo inteiro está tocando.

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NO CORPUS

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PALAVRAS-CHAVE

Roda · Collective · Social · Performance

COMO CITAR ESTA NOTA

MALO, Olivier. A roda inteira é a performance, não o jogador. In: Black Combat Arts Institute, Notas Críticas [online]. N.º 17. 2026. Disponível em: https://www.blackcombatarts.com/notas-pt/a-roda-inteira-e-a-performance-nao-o-jogador [acesso em data].

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