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AMÉRICA DO SUL · VIVA · INVENTADA

Djokan

Uma arte marcial sistematizada da Guiana Francesa, codificada em 2010 por Yannick Théolade a partir das tradições guerreiras dos povos amazônicos (ameríndios, bushinengé, crioulos) e reconhecida como patrimônio regional em 2011. Analisada pela tese como uma tradição em formação: golpes, luta agarrada e graus elementais num quadro cultural crioulo, ritmado pelo tambor.

ORIGENS & FUNÇÕES SOCIAIS

Uma arte marcial da Guiana Francesa, codificada em 2010 por Yannick Théolade (“Gran Dôkô”) e reconhecida como patrimônio cultural regional pelo Presidente da região da Guiana, Rodolphe Alexandre, em 30 de outubro de 2011, apenas um ano após sua criação. Seu fundador dá 2010 não como data de nascimento, mas como a data em que a disciplina foi “posta em ordem”, após um recolhimento intensivo das tradições guerreiras dos povos amazônicos, os ameríndios, os bushinengé (quilombolas) e os crioulos.

A tese lê o djokan através do conceito de tradição inventada de Hobsbawm: um objeto cultural cuja filiação reivindicada com o passado é composta a partir de interesses do presente, sem qualquer julgamento de valor sobre o empreendimento do fundador. Um lastro tradicional é fornecido por elementos escolhidos: o tambor de origem africana, que inscreve a disciplina na família dos combates cadenciados; o tecido madras dos cintos; a língua crioula; um vínculo com a natureza amazônica. Ele preenche um vazio local, onde os outros departamentos ultramarinos têm cada um sua arte de combate, a Guiana agora tem a sua, e sua definição aberta, mestiça, reunindo todos os povos do território, permite-lhe atrair a adesão de todos. A tese observa, sem diminuí-la, como uma criação contemporânea compõe para si uma linhagem secular.

O JOGO

Uma arte marcial sistematizada construída sobre a mobilidade, a fluidez e a adaptabilidade do corpo e da mente ao ambiente. Seus graus ascendem por cinco “patamares” nomeados pelos elementos, Latè (terra), Lè (ar), Difé (fogo), Dilo (água), Wonm (o homem, o elo entre o homem e a natureza), com o crioulo guianense como sua “língua oficial” para nomear as técnicas; a própria palavra djokan vem do crioulo “Djok” e da partícula “an”. O tambor ritma seus movimentos, combates e demonstrações, e um vínculo com a natureza amazônica, seus rios, sua floresta e seus animais, está no coração de sua definição.

LUGAR NA FAMÍLIA

A tese trata o djokan como um caso distinto: uma tradição em formação, cujo valor está em permitir observar como uma tradição marcial se compõe e ganha lastro no presente. O recolhimento, por seu fundador, das heranças guerreiras guianenses, ameríndia, bushinengé, crioula, é um verdadeiro trabalho de coleta e agregação, do qual foi extraída uma forma nova e especificamente guianense. O tambor a inscreve na família dos combates cadenciados das Américas Negras, ao lado da capoeira, do mayolè e do danmyé.

FONTES

Olivier Malo, La capoeira et les arts de combat noirs : histoire effacée, techniques invisibles, 1905–1984, tese de doutorado em História, Université des Antilles, 2020.

COMO CITAR ESTA ENTRADA

MALO, Olivier. Djokan. In: O Atlas das Artes de Combate Negras [online]. Black Combat Arts Institute, 2026. Disponível em: https://www.blackcombatarts.com/atlas-pt/djokan [acesso em data].

PRÁTICAS APARENTADAS

→ Capoeira, Arte marcial sistematizada das Américas

→ Engolo, Golpes, luta agarrada e instrumentos

→ Tiré baton / Tiré machèt, Armas tradicionais num mesmo quadro

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