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CARIBE · VIVA · REVIVIDA

Danmyé / Ladja

Um duelo de mãos nuas praticado na Martinica pelos descendentes de escravizados, comandado pelo tambor e pelo tibwa: fintas de pé e de punho, pegadas, depois luta corpo a corpo. Vitória por projeção ou imobilização do adversário no chão, sem jamais sair do ritmo.

ORIGENS & FUNÇÕES SOCIAIS

A tese registra o relato clássico do danmyé dado por Josy Michalon (Le ladjia: origine et pratiques, 1987): o tambor anuncia a abertura; um homem circunda o círculo dançando, tira a camisa, aperta o cinto e toma sua posição de combate sob os aplausos da multidão; um segundo entra com improvisações dançadas, saltos rítmicos, acrobacias, saudações, dando-se o porte de um guerreiro temível; então o ritmo muda subitamente e os dois se engajam. Um duelo de mãos nuas da Martinica, reabilitado nos anos 1980 por intelectuais e educadores empenhados em reviver uma tradição nacional então à beira da extinção sob sua forma folclorizada.

O JOGO

Comandado pelo tambor e pelo tibwa: cada dançarino busca derrubar o outro com um chute ou um soco, ou alcançar seus olhos, marcando os passos o tempo todo, aproximando-se, recuando, ao ritmo que comanda o combate próximo. A vitória vem quando um lutador ergue e projeta seu adversário ao chão. Ataque e defesa, dança e duelo, nunca se separam: o ritmo governa a virada de um ao outro. O danmyé é também conhecido sob outros nomes, ladja, wonpwen, kokoyé, designando lutas dançadas do mesmo mundo martinicano.

PRINCÍPIOS DE JOGO

Lógica interna caleidoscópica. Num mesmo quadro rítmico, atos opostos coexistem, dançar e lutar, golpear e derrubar, aproximar-se e recuar, sua virada governada apenas pelo tambor. A saudação dançada que precede o assalto, o porte guerreiro construído pelo jogo: entra-se no duelo pela performance, e a performance já é o duelo.

LUGAR NA FAMÍLIA

Na tese, o danmyé pertence ao círculo mais completo da família: com a capoeira, o maní cubano e o moring reunionense, repousa tanto na horizontalidade quanto na verticalidade, o golpe desferido e a queda provocada. Ao contrário do bènaden, do batuque ou da tolona, que mantêm apenas uma dessas dimensões, o danmyé une percussão e desequilíbrio num único jogo caleidoscópico.

FONTES

Josy Michalon, Le ladjia : origine et pratiques, 1987. · Olivier Malo, La capoeira et les arts de combat noirs : histoire effacée, techniques invisibles, 1905–1984, tese de doutorado em História, Université des Antilles, 2020.

COMO CITAR ESTA ENTRADA

MALO, Olivier. Danmyé / Ladja. In: O Atlas das Artes de Combate Negras [online]. Black Combat Arts Institute, 2026. Disponível em: https://www.blackcombatarts.com/atlas-pt/danmye-ladja [acesso em data].

PRÁTICAS APARENTADAS

→ Manì, Duelo de percussão no círculo

→ Moringue, Mesma família de jogos de percussão

→ Sové Vayan, Combate de mãos nuas em círculo

→ Capoeira, O ritmo comanda o assalto

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