Black Combat Arts Institute.
HISTÓRIA · IDEAS
O Atlântico Negro, lido através do corpo em jogo
6 MIN DE LEITURA
Agrupar os jogos de combate tradicionais de origem africana e escrava como «artes de combate negras» é ler uma diáspora através dos seus jogos, com o Atlântico Negro de Gilroy à vista.
POR QUE ESTE ARTIGO
A categoria «artes de combate negras» poderia ser acusada de aplanar as especificidades locais. A tese situa-a no Atlântico Negro de Gilroy, uma modernidade diaspórica, e pesa o risco abertamente.
Uma leitura diaspórica
A tese apoia-se no Atlântico Negro de Paul Gilroy, modernidade e dupla consciência, para pensar as artes de combate negras como um só campo. Agrupar os jogos de combate tradicionais de origem africana e escravizada, praticados por toda a América e no oceano Índico, sob este nome é ler uma diáspora através do corpo em jogo: os mesmos princípios reaparecendo por toda a parte para onde os escravizados foram levados.
O risco, pesado abertamente
A tese coloca a si própria a objeção: não arriscará o agrupamento dissolver as especificidades locais de cada jogo numa só categoria? A resposta é metodológica, a família é lida através de uma lógica interna partilhada, não imposta de cima, mas a pergunta é deixada de pé, como uma pergunta que um leitor sério deve conservar.
Por que importa
Nomear um campo é ao mesmo tempo uma reivindicação e um risco. As artes de combate negras propõem-se como uma unidade diaspórica que deve justificar-se continuamente perante a diferença local que reúne.
FONTES
La capoeira et les arts de combat noirs : histoire effacée, techniques invisibles (1905–1984), tese de doutoramento, Université des Antilles, 2020 (Conclusão geral, apoiando-se em P. Gilroy, The Black Atlantic; o risco do agrupamento).
NO CORPUS
→ Um jogo onde tudo e o seu oposto coexistem
→ A família que atravessa três oceanos
COMO CITAR ESTE ARTIGO
MALO, Olivier. O Atlântico Negro, lido através do corpo em jogo. In: Black Combat Arts Institute, Artigos [online]. N.º 98. 2026. Disponível em: https://www.blackcombatarts.com/artigos-pt/o-atlantico-negro-lido-atraves-do-corpo-em-jogo [acesso em data]. Adaptado da tese de doutoramento do autor, Université des Antilles, 2020.