Black Combat Arts Institute.
EPISTEMOLOGIA · MÉTODO
Ler o jogo por dentro
6 MIN DE LEITURA
Para apreender a família das artes de combate negras, há que abandonar as diferenças e semelhanças de superfície pelas conceções que subjazem a cada prática.
POR QUE ESTE ARTIGO
As comparações destas artes param habitualmente na forma visível, este pontapé, aquele instrumento. A tese propõe um método: ler a lógica interna, e a família aparece onde a análise de superfície via apenas diferença.
Contra a análise de superfície
Para conduzir a análise, há que abandonar as diferenças ou semelhanças de superfície e atender às conceções que subjazem a cada proposta pedagógica e a cada prática. Estudar a história da capoeiragem na sua globalidade permitiu à tese distinguir conceções que transcendem tempos e lugares, e, para além da capoeira, ler a família mais vasta através da mesma lente.
O que o interior revela
Lidos por dentro, o mayolè guadalupense e a capoeira brasileira, tão diferentes quanto dois jogos poderiam parecer, partilham fundamentos que nenhuma arte marcial possui. A lógica interna é o nível a que a família se torna visível: os desequilíbrios, o simulacro, o toque e o quase-toque, o fluxo contínuo.
Por que importa
O método não é neutro aqui. Escolha-se a superfície, e veem-se curiosidades locais dispersas; escolha-se a lógica interna, e vê-se um só campo, as artes de combate negras.
FONTES
La capoeira et les arts de combat noirs : histoire effacée, techniques invisibles (1905–1984), tese de doutoramento, Université des Antilles, 2020 (Parte III, sobre o método de ler as práticas através da sua lógica interna).
NO CORPUS
→ A estrutura partilhada que ninguém conseguia ver
→ O fluxo contínuo: um jogo que nunca para
COMO CITAR ESTE ARTIGO
MALO, Olivier. Ler o jogo por dentro. In: Black Combat Arts Institute, Artigos [online]. N.º 66. 2026. Disponível em: https://www.blackcombatarts.com/artigos-pt/ler-o-jogo-por-dentro [acesso em data]. Adaptado da tese de doutoramento do autor, Université des Antilles, 2020.