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EPISTEMOLOGIA · MÉTODO

Ler a capoeira a partir do Rio, contra um século de Bahia

6 MIN DE LEITURA

A tese centra o início do século XX no Rio, contra uma tradição de investigação centrada na Bahia, perguntando ao mesmo tempo se a inversão é ela própria generalizável.

POR QUE ESTE ARTIGO

A erudição fez da Bahia o centro da história da capoeira. A tese inverte deliberadamente o foco para o Rio, e, com rara honestidade, questiona os limites da sua própria inversão.

Uma inversão deliberada

A tese lê a primeira metade do século XX centrada no Rio, contra uma tradição de investigação centrada na Bahia. Esta inversão permite ultrapassar uma história regional apresentada como generalizável a todo o país, mas a tese coloca por sua vez a questão reflexiva: não arriscará a inversão substituir uma história regional, apresentada como nacional, por outra?

Honestidade quanto ao método

O gesto não é oferecido como um novo dogma. Centrado no Rio e na sua imprensa, o relato é tão tributário das suas fontes como a tradição baiana o era das suas. Inverter o foco é ganhar um corretivo, não uma verdade completa, e a tese di-lo.

Por que importa

A revisão mais forte é a que duvida de si própria. Deslocar o centro da Bahia para o Rio corrige um viés sem pretender ter escapado ao problema da visão parcial.

FONTES

La capoeira et les arts de combat noirs : histoire effacée, techniques invisibles (1905–1984), tese de doutoramento, Université des Antilles, 2020 (Conclusão geral: a inversão centrada no Rio e a sua autocrítica).

NO CORPUS

→ Os arquivos que só veem a capoeira quando ela entra na vida pública

→ Como a Bahia e a capoeira se tornaram a mesma palavra

COMO CITAR ESTE ARTIGO

MALO, Olivier. Ler a capoeira a partir do Rio, contra um século de Bahia. In: Black Combat Arts Institute, Artigos [online]. N.º 96. 2026. Disponível em: https://www.blackcombatarts.com/artigos-pt/ler-a-capoeira-a-partir-do-rio-contra-um-seculo-de-bahia [acesso em data]. Adaptado da tese de doutoramento do autor, Université des Antilles, 2020.

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