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HISTÓRIA · IDEAS

As ancas que foram transformadas numa assinatura racial

6 MIN DE LEITURA

Tavares fez das ancas, o «jogo de cintura», uma assinatura corporal própria dos negros, ecoando os cronistas europeus que outrora denegriam a dança africana.

POR QUE ESTE ARTIGO

Uma reivindicação de afirmação identitária pode reproduzir um tropo colonial. A tese nota que fazer das ancas uma assinatura racial ecoa os próprios cronistas que denegriam as danças africanas.

Uma quarta parte do corpo

Às três partes que se dizem compor o ser humano, cabeça, tronco e membros, Tavares acrescentou, para os negros, um outro elemento: a cintura, as ancas. Fez desta parte do corpo, a bacia, uma característica própria do povo africano: a identidade corpo-gestual dos negros, escreveu, é marcada pelo movimento das ancas, levado como herança pelos negros e seus descendentes.

Um eco incómodo

Não se julgaria, aqui, ouvir os cronistas europeus a denegrir as danças africanas em que a bacia descrevia movimentos «inomináveis»? A tese marca o incómodo: uma afirmação da identidade negra que reativa, ao contrário, um tropo colonial sobre o corpo racializado.

Por que importa

Fundar o orgulho numa essência corporal pode repetir o gesto colonial a que pretende responder. Fazer das ancas uma assinatura racial é afirmação e tropo herdado ao mesmo tempo.

FONTES

La capoeira et les arts de combat noirs : histoire effacée, techniques invisibles (1905–1984), tese de doutoramento, Université des Antilles, 2020 (Parte III: Tavares e as ancas como assinatura racial; cf. R. Marin, 2011).

NO CORPUS

→ O diagrama que deu aos negros os fundamentos e aos brancos o desporto

→ A genética que desfez a pureza das origens

COMO CITAR ESTE ARTIGO

MALO, Olivier. As ancas que foram transformadas numa assinatura racial. In: Black Combat Arts Institute, Artigos [online]. N.º 115. 2026. Disponível em: https://www.blackcombatarts.com/artigos-pt/as-ancas-que-foram-transformadas-numa-assinatura-racial [acesso em data]. Adaptado da tese de doutoramento do autor, Université des Antilles, 2020.

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