top of page

INTERNAL LOGIC

A capoeira mais espetacular é a mais criticada

5 MIN DE LEITURA

A capoeira do Mercado Modelo de Salvador, a forma mais espetacular do Brasil, é também a mais censurada, uma velha querela sobre acrobacia e turismo.

POR QUE ESTE ARTIGO

A capoeira turística e acrobática é descartada como um rebaixamento moderno. A tese mostra que a censura tem um século, e que o fluxo espetacular pertence à lógica do jogo, não apenas ao turismo.

Uma censura antiga

As críticas aos movimentos ginásticos executados nas rodas já eram formuladas no início do século XX. Mestre Bimba julgava o aú ineficaz; no Rio, as cambalhotas dos capoeiristas baianos eram apontadas como outros tantos passos de dança, estranhos à luta nacional. Nos anos 1960, os jornalistas denunciavam o domínio do turismo e os seus corolários financeiros, transformando a capoeira num espetáculo para turistas.

O espetacular e o desprezado

Hoje a capoeira do Mercado Modelo em Salvador, a forma mais espetacular do jogo no Brasil, é também a mais criticada. Contudo, o fluxo espetacular que ela encarna pertence à lógica interna pelo menos desde o início do século XX, a forma gestual tornada um fim em si mesma.

Por que importa

Desprezar a capoeira acrobática e turística como uma traição recente é esquecer um século da mesma queixa, e confundir um traço constitutivo do jogo com uma corrupção moderna.

FONTES

La capoeira et les arts de combat noirs : histoire effacée, techniques invisibles (1905–1984), tese de doutoramento, Université des Antilles, 2020 (Parte III: a capoeira do Mercado Modelo; a crítica secular da acrobacia e do turismo).

NO CORPUS

→ O fluxo contínuo: um jogo que nunca para

→ Cair de propósito: o desequilíbrio positivo

COMO CITAR ESTE ARTIGO

MALO, Olivier. A capoeira mais espetacular é a mais criticada. In: Black Combat Arts Institute, Artigos [online]. N.º 94. 2026. Disponível em: https://www.blackcombatarts.com/artigos-pt/a-capoeira-mais-espetacular-e-a-mais-criticada [acesso em data]. Adaptado da tese de doutoramento do autor, Université des Antilles, 2020.

bottom of page