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NOTA CRÍTICA · N.º 09

Esvazie a xícara

Sobre desaprender o que você sabe para aprender o que não sabe

Vale a pena recordar a parábola do filósofo e da xícara de chá. Um estudante em visita a um pensador lhe faz perguntas intermináveis, mas a cada vez, inconscientemente, responde a elas primeiro em sua própria cabeça, a partir de seu quadro já existente. O mestre serve chá na xícara do estudante, e continua servindo depois de cheia, até transbordar. Não se pode encher uma xícara que já está cheia.

Para aprender um novo sistema, uma arte de combate, uma maneira de mover-se, uma lógica do corpo, é preciso primeiro depor os esquemas construídos ao longo de anos. Caso contrário, o novo só é recebido como variação do velho, filtrado, distorcido, nunca apreendido em seus próprios termos. O saber do especialista torna-se o próprio obstáculo ao seu aprendizado.

É por isso que iniciantes às vezes progridem mais rápido do que praticantes experientes que atravessam para uma nova disciplina: têm menos a desaprender. Esvaziar a xícara não é tornar-se ignorante, é a disciplina mais difícil do realizado, a disposição de ser iniciante de novo, de suspender o reflexo de explicar o novo pelo conhecido. Só a xícara esvaziada pode ser enchida.

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PALAVRAS-CHAVE

Learning · Unlearning · Beginner’s mind · Pedagogy

COMO CITAR ESTA NOTA

MALO, Olivier. Esvazie a xícara. In: Black Combat Arts Institute, Notas Críticas [online]. N.º 09. 2026. Disponível em: https://www.blackcombatarts.com/notas-pt/esvazie-a-xicara [acesso em data].

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