Black Combat Arts Institute.
HISTÓRIA · IDEAS
A lâmina que foi apagada da capoeira
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Um autor sustentou que as armas, a navalha, eram parte integrante da capoeiragem, introduzidas como ferramenta pedagógica; a afirmação foi rejeitada por uma sociedade que eufemizava a sua violência.
POR QUE ESTE ARTIGO
O capoeira armado é um embaraço geralmente contornado. A tese regista uma afirmação de que as armas pertenciam à arte, e a sua rejeição, um caso do presente a editar o passado à medida da sua sensibilidade.
Uma afirmação rejeitada
Segundo um autor, as armas eram parte integrante da cultura da capoeiragem, introduzidas primeiro como ferramenta pedagógica para melhorar a mobilidade e as esquivas dos praticantes. Mas esta posição sobre as armas, dificilmente aceitável numa sociedade atravessada, desde o início do século XX, por um processo de eufemização da violência, foi rejeitada.
O que se manteve, o que se abandonou
O que se manteve foi a ideia lisonjeira do papel dos capoeiras na Guerra do Paraguai; o que se abandonou foi a navalha. A memória da arte foi editada para caber num presente que já não podia assumir a lâmina, uma herança seletiva, guardando o heroico e descartando o incómodo.
Por que importa
O que uma tradição esquece é tão revelador quanto o que guarda. A lâmina apagada mostra um presente a moldar o passado à medida da sua própria tolerância à violência.
FONTES
La capoeira et les arts de combat noirs : histoire effacée, techniques invisibles (1905–1984), tese de doutoramento, Université des Antilles, 2020 (Parte I: as armas como parte reivindicada da capoeiragem, e a sua rejeição).
NO CORPUS
→ Quando capoeira significava bandos, não graça
→ A lenda de David contra Golias
COMO CITAR ESTE ARTIGO
MALO, Olivier. A lâmina que foi apagada da capoeira. In: Black Combat Arts Institute, Artigos [online]. N.º 103. 2026. Disponível em: https://www.blackcombatarts.com/artigos-pt/a-lamina-que-foi-apagada-da-capoeira [acesso em data]. Adaptado da tese de doutoramento do autor, Université des Antilles, 2020.