Black Combat Arts Institute.
EPISTEMOLOGIA · MÉTODO
Quando um baiano admitiu que o Rio também estava a perder o jogo
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«Em Salvador, todo o homem já fez, faz ou fará um pouco de capoeira; no Rio, quase ninguém sabe defini-la ou tocar o berimbau.»
POR QUE ESTE ARTIGO
A rivalidade Bahia/Rio é lida como um choque de tradições fortes. A tese regista uma voz baiana a conceder que o Rio estava a perder o jogo, mas como uma perda de transmissão, não de qualidade.
Uma concessão de Salvador
Quantitativamente falando, o Rio também perde: em Salvador, qualquer homem já fez, está a fazer ou fará um pouco de capoeira; ao passo que no Rio, quase ninguém sabe definir capoeira, quase ninguém sabe tocar o berimbau. A observação, de um ponto de vista baiano, concede um declínio real do jogo no Rio.
Transmissão, não qualidade
Mas a perda descrita é de transmissão e de difusão, a presença ordinária do jogo na vida quotidiana, não um veredito sobre a eficácia da forma carioca, que outras vozes na tese julgaram superior. As duas afirmações podem coexistir: o Rio perdeu o jogo do quotidiano enquanto a sua forma técnica era altamente avaliada por quem a encontrava.
Por que importa
Dizer que o Rio «perdeu» a capoeira é ambíguo. Distinguir a perda de uma transmissão quotidiana viva de um juízo sobre o valor técnico impede que a questão Bahia/Rio se reduza a uma simples hierarquia.
FONTES
La capoeira et les arts de combat noirs : histoire effacée, techniques invisibles (1905–1984), tese de doutoramento, Université des Antilles, 2020 (Parte III: a concessão baiana sobre o declínio da transmissão no Rio).
NO CORPUS
→ «No Rio, quase ninguém sabe tocar o berimbau»
→ Como a Bahia e a capoeira se tornaram a mesma palavra
COMO CITAR ESTE ARTIGO
MALO, Olivier. Quando um baiano admitiu que o Rio também estava a perder o jogo. In: Black Combat Arts Institute, Artigos [online]. N.º 110. 2026. Disponível em: https://www.blackcombatarts.com/artigos-pt/quando-um-baiano-admitiu-que-o-rio-tambem-estava-a-perder-o-jogo [acesso em data]. Adaptado da tese de doutoramento do autor, Université des Antilles, 2020.