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HISTÓRIA · MÉTODO

O golpe que não existia na capoeira angola em 1964

6 MIN DE LEITURA

No manual de Pastinha de 1964, só aparecem o rabo de arraia e a meia-lua de frente, ao lado de dois outros, um pontapé hoje central na angola ainda lá não estava.

POR QUE ESTE ARTIGO

Presume-se que o repertório da angola é fixo e antigo. A tese mostra, a partir do próprio manual de Pastinha de 1964, que certos pontapés hoje standard estavam ausentes, o repertório derivou através da troca entre academias.

O inventário de 1964

Um pontapé hoje demonstrado como parte da angola não existia originalmente nela. No manual técnico de Pastinha de 1964, apenas o rabo de arraia e a meia-lua de frente são apresentados, ao lado de dois outros, a chapa de frente (nada mais do que a bênção) e a chapa de costas, um pontapé executado de perfil ou de costas, do tipo coice de cavalo.

Um repertório que derivou

Progressivamente, nos anos 1960–70, a proximidade e as trocas técnicas entre os jogadores das diferentes academias permitiram a difusão de movimentos de uma escola para outra. O repertório «tradicional» da angola não estava selado: cresceu e mudou pelo contacto, bem depois de 1964.

Por que importa

Mesmo o repertório da capoeira mais «pura» tem uma história datável. O que a angola contém hoje não estava todo lá em 1964, o cânone derivou, como tudo o resto.

FONTES

La capoeira et les arts de combat noirs : histoire effacée, techniques invisibles (1905–1984), tese de doutoramento, Université des Antilles, 2020 (Parte III: o manual de Pastinha de 1964 e a deriva do repertório da angola; Mestre Bola Sete).

NO CORPUS

→ Pastinha insistia que o seu jogo não era uma dança

→ O golpe que Cyriaco tornou célebre

COMO CITAR ESTE ARTIGO

MALO, Olivier. O golpe que não existia na capoeira angola em 1964. In: Black Combat Arts Institute, Artigos [online]. N.º 116. 2026. Disponível em: https://www.blackcombatarts.com/artigos-pt/o-golpe-que-nao-existia-na-capoeira-angola-em-1964 [acesso em data]. Adaptado da tese de doutoramento do autor, Université des Antilles, 2020.

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