Black Combat Arts Institute.
HISTÓRIA · BRASIL
O Estado que obrigou a capoeira a tornar-se desporto
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No fim dos anos 1960 uma desportivização forçada, querida pelo Estado, redefiniu o jogo: um regulamento dos anos 1970 obrigou a capoeira a tornar-se mensurável.
POR QUE ESTE ARTIGO
A desportivização é muitas vezes contada como um amadurecimento natural da capoeira. A tese mostra que foi imposta, uma exigência política de objetivar um jogo cuja lógica resistia ao cronómetro e ao ponto.
Uma marcha forçada
No fim dos anos 1960, a desportivização da capoeira em marcha forçada, desejada pelo Estado, redefiniu a atividade. Após debates acesos, o regulamento adotado no início dos anos 1970 obrigou os praticantes a objetivar a capoeira para responder às exigências da competição.
Os professores que a renovaram
Os jovens pedagogos baianos que tinham migrado para o Sudeste, em continuidade com os velhos mestres cariocas e baianos, ligavam agora num todo indivisível: educação física, autodefesa, desporto e folclore. A renovação era deles; a exigência de objetivação era do Estado.
Por que importa
Fazer da capoeira um desporto não foi completá-la mas constrangê-la, forçar um jogo kaleidoscópico a render-se em pontos contáveis. O regulamento é um documento político antes de ser técnico.
FONTES
La capoeira et les arts de combat noirs : histoire effacée, techniques invisibles (1905–1984), tese de doutoramento, Université des Antilles, 2020 (Parte III, sobre a desportivização impulsionada pelo Estado e o regulamento do início dos anos 1970).
NO CORPUS
→ 3 de julho de 1931: o regulamento que proibia vencer
→ A capoeira contemporânea não é nem carioca nem baiana
COMO CITAR ESTE ARTIGO
MALO, Olivier. O Estado que obrigou a capoeira a tornar-se desporto. In: Black Combat Arts Institute, Artigos [online]. N.º 55. 2026. Disponível em: https://www.blackcombatarts.com/artigos-pt/o-estado-que-obrigou-a-capoeira-a-tornar-se-desporto [acesso em data]. Adaptado da tese de doutoramento do autor, Université des Antilles, 2020.