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HISTÓRIA · CARIBE

O empurrão que não era um soco

5 MIN DE LEITURA

No bènaden guadalupense, o objetivo do atacante não era golpear mas empurrar o queixo com a palma, desequilibrando pela viragem brusca da cabeça.

POR QUE ESTE ARTIGO

Um jogo de mãos nuas com o rosto por alvo parece boxe. A antropóloga Anca Bertrand (1966), citada pela tese, traçou a distinção decisiva: desequilibrar, não ferir.

Um belíssimo jogo dos corpos

A antropóloga Anca Bertrand (1966), especialista da cultura antilhana, descreveu o bènaden como um belíssimo e flexível jogo dos corpos, e distinguiu-o claramente do boxe. Como hoje, praticava-se nas velórias; música e canto acompanhavam o combate, e o rosto era o alvo privilegiado.

Empurrar, não golpear

O objetivo do atacante não era tocar ou golpear o adversário, mas empurrá-lo com a palma da mão ao nível do queixo de modo a desequilibrá-lo: pela mudança abrupta de orientação da cabeça, os centros de equilíbrio são atingidos. Toda a arte reside neste deslocamento do equilíbrio, não no ferimento.

Por que importa

Lido como boxe, o bènaden é um primo pobre. Lido nos seus próprios termos, a palma ao queixo, o equilíbrio quebrado, é uma arte distinta com uma lógica própria.

FONTES

La capoeira et les arts de combat noirs : histoire effacée, techniques invisibles (1905–1984), tese de doutoramento, Université des Antilles, 2020 (Parte III, B.1: bènaden, citando Anca Bertrand, 1966).

NO CORPUS

→ Um duelo de bastão foi proibido em Guadalupe em 1683

→ A luta cujo interesse reside num paradoxo

COMO CITAR ESTE ARTIGO

MALO, Olivier. O empurrão que não era um soco. In: Black Combat Arts Institute, Artigos [online]. N.º 69. 2026. Disponível em: https://www.blackcombatarts.com/artigos-pt/o-empurrao-que-nao-era-um-soco [acesso em data]. Adaptado da tese de doutoramento do autor, Université des Antilles, 2020.

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