top of page

HISTÓRIA · FIGURAS

O antropólogo que previu a morte da capoeira em 1937

6 MIN DE LEITURA

Edison Carneiro advertiu que o «progresso» daria à capoeira o seu golpe de morte, empurrando-a, e ao resto do folclore negro, para os pequenos povoados da costa.

POR QUE ESTE ARTIGO

Carneiro é recordado como um campeão da cultura afro-brasileira. A tese recupera um momento mais estranho: a sua previsão de 1937 de que a capoeira se decompunha, e de que o estilo regional de Bimba era o sintoma.

Uma profecia de extinção

Num capítulo dedicado à capoeira, Edison Carneiro advertia em 1937 contra um processo que lhe parecia quase inelutável: apesar de tudo, a melhor aclimatação da população negra, a reação policial, a decomposição avançada e a simbiose da capoeira com outras formas de luta, a capoeira, e sobretudo a capoeira angola, revelava uma enorme vitalidade; contudo, o progresso, escrevia ele, mais cedo ou mais tarde lhe desferiria o golpe de misericórdia, e a capoeira, com os outros elementos do folclore negro, recolher-se-ia aos pequenos povoados do litoral.

O culpado nomeado

O mundo, nas palavras do antropólogo, caminhava para a perdição, e arriscava-se a levar consigo os últimos vestígios da África Negra. A «decomposição» que temia era, precisamente, a capoeira regional fundada por Mestre Bimba a partir de uma «simbiose» com outras formas de luta. O jiu-jitsu e o catch-as-catch-can, aos olhos dos intelectuais, apenas alteravam a pureza da capoeira tradicional.

Por que importa

O defensor do folclore afro-brasileiro lia a hibridação como morte. Que a profecia tenha falhado, a capoeira não recuou para o litoral, é ela própria uma lição sobre o erro de confundir mistura e declínio.

FONTES

La capoeira et les arts de combat noirs : histoire effacée, techniques invisibles (1905–1984), tese de doutoramento, Université des Antilles, 2020 (Parte III, citando Edison Carneiro, 1937, sobre a extinção prevista da capoeira e a «decomposição» via o estilo regional de Bimba).

NO CORPUS

→ A «tradicional» capoeira angola nasceu moderna

→ A capoeira contemporânea não é nem carioca nem baiana

COMO CITAR ESTE ARTIGO

MALO, Olivier. O antropólogo que previu a morte da capoeira em 1937. In: Black Combat Arts Institute, Artigos [online]. N.º 60. 2026. Disponível em: https://www.blackcombatarts.com/artigos-pt/o-antropologo-que-previu-a-morte-da-capoeira-em-1937 [acesso em data]. Adaptado da tese de doutoramento do autor, Université des Antilles, 2020.

Politique de confidentialité

Mentions légales

Politique de cookies

bottom of page