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HISTÓRIA · IDEAS

«No Rio, quase ninguém sabe tocar o berimbau»

6 MIN DE LEITURA

No início dos anos 1960, o jovem Lacé Lopes defendia a ideia comum de que a capoeira carioca, qualquer capoeira que não fosse da Bahia, era fraca.

POR QUE ESTE ARTIGO

A crença na supremacia baiana é tratada como sabedoria intemporal. A tese mostra-a como a norma interiorizada de uma época, expressa até por um professor que praticara apenas quatro anos e nada sabia do passado carioca.

Uma norma interiorizada

No início dos anos 1960, o jovem André Luis Lacé Lopes defendia a ideia, expressa pelos dois «papas» Mestre Bimba e outro, de que a capoeira carioca, ou a de qualquer lugar que não seja a Bahia, era fraca. Nesta postura, argumenta a tese, não se deve ver senão a expressão do pensamento comum da época e a interiorização da norma por todo o corpo dos praticantes.

Um defensor que não conhecia o passado

Lacé Lopes, então estudante de administração, embora ensinasse capoeira, praticara-a apenas quatro anos. Mergulhara neste universo desconhecido com paixão e devoção, mas nada sabia do passado glorioso dos seus predecessores, sem dúvida como o seu próprio professor: nada de Cyriaco e dos campeões cariocas.

Por que importa

A «fraqueza» da capoeira carioca não era uma constatação mas uma crença recebida, repetida pelos que tinham esquecido o passado carioca. A hierarquia das formas era o preconceito de uma época, interiorizado como facto.

FONTES

La capoeira et les arts de combat noirs : histoire effacée, techniques invisibles (1905–1984), tese de doutoramento, Université des Antilles, 2020 (Parte III: Lacé Lopes e a crença na supremacia baiana, início dos anos 1960).

NO CORPUS

→ Como a Bahia e a capoeira se tornaram a mesma palavra

→ O baiano que quis medir-se com a capoeira carioca

COMO CITAR ESTE ARTIGO

MALO, Olivier. «No Rio, quase ninguém sabe tocar o berimbau». In: Black Combat Arts Institute, Artigos [online]. N.º 108. 2026. Disponível em: https://www.blackcombatarts.com/artigos-pt/no-rio-quase-ninguem-sabe-tocar-o-berimbau [acesso em data]. Adaptado da tese de doutoramento do autor, Université des Antilles, 2020.

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