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HISTÓRIA · BRASIL

A multidão queria combates a sério, não bailados

6 MIN DE LEITURA

Os espectadores vinham pelos «22 golpes mortais» da capoeira regional anunciados na imprensa, e receberam lentos balés técnicos, sem perigo, entre os alunos do mestre.

POR QUE ESTE ARTIGO

As demonstrações públicas de capoeira são lidas como vitrinas de uma arte temível. A tese regista a deceção da plateia: queriam luta, e receberam coreografia.

Uma plateia desiludida

Os espectadores desejavam assistir a luta, não a simples demonstrações. Em vez dos verdadeiros combates desportivos que a assembleia impaciente esperava, os 22 golpes mortais da capoeira regional anunciados nas colunas dos jornais, havia apenas lentos balés técnicos entre os alunos do mestre, sem qualquer perigo palpável.

Não só a multidão

Os espectadores não foram os únicos a pedir «luta a sério», sem dúvida desiludidos e pouco impressionados com a exibição atlética dos capoeiras. No ginásio do Pacaembú em 1949, a promessa da imprensa encontrou a realidade da demonstração, e o fosso era audível.

Por que importa

A capoeira «mortal» das manchetes e o cuidadoso balé da roda não são o mesmo objeto. A deceção da plateia mede a distância entre a violência anunciada da capoeira e o seu jogo real e controlado.

FONTES

La capoeira et les arts de combat noirs : histoire effacée, techniques invisibles (1905–1984), tese de doutoramento, Université des Antilles, 2020 (Parte II: o público desiludido no Pacaembú, 1949; Correio Paulistano, fevereiro de 1949).

NO CORPUS

→ O golpe que nunca teve intenção de acertar

→ O Rio inventou a luta na jaula antes do UFC

COMO CITAR ESTE ARTIGO

MALO, Olivier. A multidão queria combates a sério, não bailados. In: Black Combat Arts Institute, Artigos [online]. N.º 87. 2026. Disponível em: https://www.blackcombatarts.com/artigos-pt/a-multidao-queria-combates-a-serio-nao-bailados [acesso em data]. Adaptado da tese de doutoramento do autor, Université des Antilles, 2020.

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