Black Combat Arts Institute.
HISTÓRIA · IDEAS
A capoeira como arte pós-colonial
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No fim do século XX, grupos como o Senzala e o Olodum voltaram a capoeira para a defesa dos direitos das pessoas de ascendência africana.
POR QUE ESTE ARTIGO
A viragem política da capoeira é lida como um ativismo recente enxertado num jogo apolítico. A tese situa-a: um nascimento tardio, no fim do século, da capoeira como arte pós-colonial, espelho de uma sociedade em sofrimento.
Ecoando a questão racial
No início dos anos 1980, a capoeira ecoava as questões raciais reativadas na sociedade brasileira alguns anos antes. Os grupos Senzala e Olodum são o melhor reflexo, ao mesmo tempo, da capoeira contemporânea e o espelho dos seus limites no seio de uma sociedade brasileira em sofrimento, um país apresentado como democracia racial mas que, de facto, discriminava os negros social, política e culturalmente.
Uma nova função
Desta tomada de consciência emergiu, no campo da capoeira, uma reflexão sobre o lugar dos negros no jogo e na sociedade, o nascimento da capoeira como arte pós-colonial, ao serviço da defesa dos direitos dos afrodescendentes. As duas entidades promoveram esta viragem com sinceridade, paixão e empenho.
Por que importa
A vocação política da capoeira não é um enxerto estrangeiro mas um nascimento datável no fim do século, o jogo tornando-se um instrumento pós-colonial no momento em que a democracia racial do Brasil era posta em causa.
FONTES
La capoeira et les arts de combat noirs : histoire effacée, techniques invisibles (1905–1984), tese de doutoramento, Université des Antilles, 2020 (Parte III, C: a emergência da capoeira como arte pós-colonial; a Senzala e o Olodum nos anos 1980).
NO CORPUS
→ Quando a capoeira se tornou uma arma numa guerra de preto e branco
→ A genética que desfez a pureza das origens
→ A capoeira na capa da Black Belt
COMO CITAR ESTE ARTIGO
MALO, Olivier. A capoeira como arte pós-colonial. In: Black Combat Arts Institute, Artigos [online]. N.º 78. 2026. Disponível em: https://www.blackcombatarts.com/artigos-pt/a-capoeira-como-arte-pos-colonial [acesso em data]. Adaptado da tese de doutoramento do autor, Université des Antilles, 2020.